marédematos
nuvem azul
nuvem vermelha
poesia de guerrilha

 

assa peixe floresce no início do inverno

do horror brota a doce delicadeza
chão de cimento faz ciranda perder ginga
a planta de meu quintal nasce em beira de estrada e terreno baldio

ó ímpeto cigano que faz da tormenta meu guia
abandona o próximo abandona o próprio mas
a natureza te acompanha tecendo cotidiana benfeitoria

{cruéis vós vorazes homens selvagens
que não escutam a voz dos animais e
aos miseráveis tampouco propõe língua}

ó ameaça que em pé de linha de frente não põe medo
força oculta que insistente sustenta o desassossego
ó eminente máquina que saqueia meu corpo e destrói minha calma
que minha poesia te fira firme com ira como a mais dura de tuas armas